Política

Flávio diz que Moraes interfere na eleição ao deixar Bolsonaro 'incomunicável'

Publicado em: 13/07/2026 às 21:08 Visualizações: 1
Flávio diz que Moraes interfere na eleição ao deixar Bolsonaro 'incomunicável'

O pré-candidato à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL), criticou a suspensão de suas visitas ao pai Jair Bolsonaro (PL) por 90 dias e afirmou, nesta segunda-feira (13/7), que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), interfere nas eleições de outubro com decisão que deixa o ex-presidente "incomunicável".

"É algo completamente desproporcional, desarrazoado e, claramente, configura essa tentativa de Alexandre de Moraes de interferir nas eleições", declarou.

"Alguém acha que é coincidência?", perguntou em live no YouTube cerca de quatro horas depois da proibição determinada pelo Supremo. Flávio afirmou que o pai escreveu quatro outras cartas antes da que foi publicada no sábado (11/7). Para ele, o ministro usou a mensagem de Bolsonaro como desculpa para prejudicar a oposição no pleito.

"Acabou de acontecer uma busca e apreensão na casa do meu pai", disse. "Agora, com uma desculpa esfarrapada, uma decisão impede um filho de falar com o pai por 90 dias. Não coincidentemente esse prazo se encerra após o primeiro turno das eleições (no dia 4 de outubro", completou.

Irritado, Flávio defendeu que não adianta recorrer à Primeira Turma do STF, mas antecipou que procurou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para tentar reverter a decisão de Moraes. Além de filho, Flávio é advogado constituído na equipe de Bolsonaro e usa as prerrogativas do cargo para visitá-lo.

"Ele (Moraes) não vai poder impedir que um advogado conversei com seu cliente, e a OAB vai entrar no circuito porque é uma prerrogativa inegociável que um cliente tenha acesso a seu cliente, nem que seja nos 30 minutos por dia de segunda a sexta-feira", afirmou.

O ministro Alexandre de Moraes suspendeu por 90 dias as visitas de Flávio ao ex-presidente Jair Bolsonaro em prisão domiciliar. Na decisão desta segunda-feira, ele justificou que o pré-candidato descumpriu uma das medidas cautelares impostas a Bolsonaro, que está proibido de usar as redes sociais "diretamente ou por intermédito de terceiros".

O ministro avalia que Flávio usou o direito de visitar o pai para obter uma carta com a única intenção de divulgá-la nas redes sociais. Moraes também acrescentou que o senador é reincidente porque, em agosto de 2025, fez uma ligação de vídeo com Bolsonaro durante ato em Copacabana, no Rio de Janeiro.

Moraes também deu 48 horas para a defesa de Bolsonaro esclarecer se o ex-presidente tinha ciência de que o filho divulgaria a carta no Instagram. O ministro observou que a declaração de Flávio de que o documento seria um “recado muito importante que ele (pai) quer dar a toda a nossa ação” sugere que Bolsonaro tinha “plena ciência” da intenção do senador.

Moraes ainda determinou que o procurador-geral eleitoral, Paulo Gonet, adote as medidas cabíveis para investigar a possível caracterização de propaganda eleitoral antecipada. Segundo o ministro, Flávio teria utilizado “expressões com carga semântica equivalente a pedido explícito de voto” ao ler a carta em seu Instagram no último sábado.

Na carta atribuída por Flávio ao pai, Bolsonaro se refere ao filho como “a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento”. “O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro”, escreveu.

No STF 

Flávio tentará, sim, reverter a suspensão das visitas, como antecipou o advogado da pré-campanha, Tracy Reinaldet, nesta segunda-feira. "As medidas judiciais serão tomadas para reverter essa situação ilegal e inconstitucional", afirmou.

Um dos argumentos apresentados ao Supremo é o fato de que Flávio figura entre os advogados da equipe de defesa do pai e não poderia ser proibido de visitá-lo. "A proibição de contato viola, portanto, o direito que o advogado tem de se comunicar com seu representato", cita Reinaldet em menção ao Estatuto da Advocacia.

"Desde a proclamação da Constituição de 1988, deixar o preso incomunicável sempre foi visto pelo Supremo Tribunal Federal como algo inconstitucional", afirma. "No entrando, a decisão de hoje aproxima o presidente Jair Bolsonaro da incomunicabilidade", acrescenta.

  Fonte: O Tempo   
✓ Link da notícia copiado!