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Liderança contemporânea exige inteligência comportamental

Publicado em: 08/06/2026 às 10:55 Visualizações: 1
Liderança contemporânea exige inteligência comportamental

Quando o modelo de liderança não agrada os colaboradores, as chances da equipe se sentir desmotivada e até desistir do emprego são altas. Mais da metade dos funcionários (53%) admite que o comportamento do chefe já foi motivo para deixar o emprego. Os dados são do levantamento Bad Boss Index 2025, realizado pela BambooHR, empresa global de gestão de recursos humanos (HR Tech).

No atual mercado de trabalho, o modelo de liderança baseado em rigidez, controle e distanciamento, tão associado a postura de um bom líder anos atrás, já não funciona mais. Muito pelo contrário, pois, hoje isso pode custar caro para as empresas.

Segundo a mentora de lideranças Leila Said, durante muito tempo não se olhava para a figura do líder como um ativo dentro das empresas. Percepção que mudou. Hoje as organizações entendem que a forma como um gestor conduz uma equipe faz toda a diferença. “O que as lideranças propõem para as equipes impacta diretamente o desempenho da empresa, o senso de pertencimento das pessoas e o resultado das equipes”, afirma a mentora.

Para ela, o avanço das redes sociais teve um papel importante nessa transformação. As pessoas passaram a ter contato com outros modelos de trabalho, outras formas de liderar e começaram a questionar comportamentos que antes eram naturalizados dentro das empresas. “A gente começou a se perguntar se aquele modelo realmente funcionava ou se a gente apenas estava acostumado com ele. Existia uma cultura muito voltada para obedecer, não questionar, não confrontar e não entender o porquê das coisas”, explica.

Além das redes sociais, a própria relação das pessoas com o trabalho mudou. Uma transformação impulsionada pelos mais jovens. Enquanto 40,6% das pessoas com mais de 61 anos consideram o trabalho a parte mais importante da vida, entre a geração Z apenas 22,49% concordam com isso. Os dados são da pesquisa “Perspectivas Intergeracionais no Mercado de Trabalho”, realizada pelo instituto DATATEMPO em 2025. “O significado do trabalho mudou. Hoje ele faz parte da vida e não a vida faz parte do trabalho. É buscado um estilo de vida mais centrado na pessoa”, explica Leila.

Novos tempos

Se os trabalhadores mudaram, o modelo de liderança também precisa mudar. E, na visão da especialista, isso não significa perda para as empresas. Pelo contrário. Gestores mais conectados com as pessoas e ambientes organizacionais mais saudáveis costumam gerar equipes mais engajadas, mais produtivas e com menos rotatividade. “Muita gente não sai de casa só pelo dinheiro. Sai também pelo propósito. Um bom líder consegue entender a pessoa e impulsioná-la”, destaca.

Inteligência comportamental

 É nesse contexto que ganha força a chamada inteligência comportamental, habilidade ligada à capacidade de entender perfis, comportamentos e adaptar a forma de comunicação conforme cada profissional e cada situação. “Se as pessoas estão mais engajadas, com alto grau de pertencimento e entendendo o porquê do trabalho, é claro que elas estarão mais envolvidas com a tarefa e com os resultados”, afirma.

Ouvir os colaboradores, entender por que eles escolheram aquela empresa e conhecer as demandas da equipe são algumas das habilidades que, para Leila, passaram a ser fundamentais para o líder contemporâneo. “A maior causa de turnover (rotatividade) é a liderança que não conseguiu cuidar da equipe. Ou porque foi tóxica, irresponsável ou completamente desconectada”, destaca Leila.

Ambiente de trabalho

Na avaliação da especialista em gestão de pessoas Graziela Alves, nós estamos saindo de um lugar mais autocrático e incisivo para um lugar mais democrático e acolhedor. E a mudança do cenário econômico interfere diretamente na transformação da postura das lideranças

“Nos anos 80, por exemplo, as condições e a oferta de trabalho eram muito mais restritas. Então, as pessoas se submetiam a ambientes onde a rigidez e o abuso de poder estavam presentes, porque aquela era uma garantia de subsistência”, avalia Graziela.

“Mas hoje, as pessoas têm cada vez mais opções de emprego e também alternativas de novos formatos. Por isso, os líderes ultrapassados estão perdendo pessoas não só para outras empresas, mas também para o mercado do empreendedorismo, pois tem muita gente em busca de geração de renda autônoma”, analisa Graziela, que também é diretora da consultoria de comportamento organizacional Fidhem.

(Com Queila Ariadne)

  Fonte: O Tempo  
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