Lula diz que documento enviado por Flávio Bolsonaro aos EUA comprova 'entreguismo'
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta quinta-feira (2/7) o documento entregue pelo gabinete do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao governo dos Estados Unidos.
Lula voltou a responsabilizar a família Bolsonaro pelas novas tarifas de 25% impostas pelo presidente Donald Trump aos produtos brasileiros e chamou de "entreguismo" as propostas feitas por Flávio Bolsonaro para adiar a aplicação das medidas.
"É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado hoje por um de seus integrantes ao governo norte-americano. Nós sempre vamos dialogar de igual pra igual com qualquer nação do mundo", escreveu o petista, no X.
"Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois. O mais absurdo é saber que a origem disso tudo foi motivada pela própria família Bolsonaro que defendeu publicamente o aumento de tarifas contra os produtos brasileiros", continua o texto.
No documento enviado ao USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA), o pré-candidato do PL pede o adiamento, por 180 dias, da aplicação de novas tarifas contra exportações brasileiras. Ou seja, para depois das eleições presidenciais no Brasil.
Em troca, o parlamentar oferece vantagens comerciais aos norte-americanos, como a eliminação de tarifas para o etanol e a redução da carga tributária de empresas de cartão de crédito. Flávio Bolsonaro também propõe que o Brasil "se liberte das amarras" do Mercosul - o bloco de comércio restringe negociações bilaterais - como fez o presidente argentino, Javier Milei.
Governo defende Pix e propõe negociar etanol
Na quarta-feira, (1/7) o governo Lula enviou uma resposta aos Estados Unidos sobre a investigação feita pelo governo Donald Trump que acusa o Brasil de supostas práticas desleais e que resultou em um novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros.
Os argumentos, encaminhados ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), defenderam que o Pix está "longe de excluir empresas estrangeiras", que a negociação de tarifas sobre etanol pode ser feita de forma bilateral e que os norte-americanos recorrem a uma "descrição generalizada de ilegalidade ambiental sistêmica" no Brasil.
O ministro argumentou que a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 "não autoriza o USTR a impor sanções meramente porque discorda das escolhas políticas de outro país soberano". Também afirma que o USTR não demonstra que "os atos, políticas ou práticas do Brasil são desarrazoadas ou discriminatórias, nem estabelece que elas sobrecarregam ou restringem o comércio dos EUA".
O governo brasileiro dividiu a resposta em tópicos, a partir das justificativas dadas pelos norte-americanos para a sugestão da tarifa de 25%
Fonte: O Tempo