Lula diz que 'ninguém pode ser ministro do STF para ficar rico'
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que "ninguém pode ser ministro da Suprema Corte para ficar rico", em referência ao Supremo Tribunal Federal (STF). Na avaliação do petista, a função "é um sacerdócio".
A fala foi feita durante um ato de campanha em Curitiba, Paraná, neste sábado (12/9). Na ocasião, Lula dizia acreditar na inocência do filho Fábio Luís Lula da Silva (PT), o Lulinha, alvo de três inquéritos autorizados pela Corte, principalmente, por suposto tráfico de influência.
"Meu filho não será protegido, ele nasceu para fazer as coisas certas. Eu acredito na inocência dele, mas se ele cometeu um erro, terá que pagar. Isso vale para mim, para o meu filho e qualquer ministro da Suprema Corte. Ninguém pode ser ministro da Suprema Corte para ficar rico. Aquilo é um sacerdócio, porque é a Corte Suprema, que quando toma uma decisão ninguém pode mudar", declarou.
Lula relatou uma conversa que teve com o presidente do STF, ministro Edson Fachin, e fez críticas sem citar diretamente o relator do caso do Banco Master, ministro André Mendonça. "Eu disse a ele que não era possível o cidadão, que é um juiz relator, ficar soltando matérias pinçadas. Somente aquilo que interessava a ele. E eu pedi para liberar todo o processo. Deixar nu, para saber quem é que está por trás disso".
"O Vorcaro já está preso. Mas agora vai começar a aparecer as orgias que ele fazia. As mulheres da Suíça, da Suécia, para fazer sacanagem com muita gente da política. Isso vai começar a aparecer. Portanto, quem fez p*taria, vai ser desmascarado", continuou Lula, em referência ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O petista também disse que casos de corrupção envolvendo o Master e o escândalo no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) começaram no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Em dois anos, nós descobrimos a maior quadrilha de roubo de aposentados e pensionistas. Foi a CGU (Controladoria-Geral da União) do meu governo e a PF (Polícia Federal) que descobriram a quadrilha montada no governo Bolsonaro”, afirmou.
“Eles criaram um banqueiro e nós o prendemos. Eles abriram um banco e nós o fechamos”, disparou, ao comentar sobre os recentes desdobramentos do escândalo envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, e autoridades públicas.
Lula participou do ato na capital paranaense ao lado do candidato ao governo do estado Requião Filho (PDT) e dos candidatos ao Senado Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha, ambos do PT. Na ocasião, o presidente chamou o senador Sérgio Moro (PL-PR), adversário de Requião nas eleições, de “frouxo” e “mentiroso”.
“Eu sou vítima da mentira dele (...) Estou até agora esperando a minha chácara e o meu apartamento no Guarujá”, disse. Moro assinou a condenação de Lula, depois anulada pelo STF, no âmbito da operação Lava Jato.
Defesa das mulheres e crescimento econômico
O presidente da República reservou boa parte do discurso à defesa de pautas relativas aos direitos das mulheres, as quais, segundo ele, são as mais beneficiadas por programas de educação como o Fies e o Prouni. “Uma mulher bem formada vive por conta própria e não vai morar com ninguém a troco de um prato de comida”, argumentou
O candidato à reeleição chamou de “babaquice” a defesa do superávit e do controle fiscal. Segundo ele, o governo deve focar no combate à alta da taxa de juros. “Para gerar emprego, a economia tem que crescer com investimentos do governo. E, para isso ocorrer, é preciso acabar com essa babaquice de fazer superávit e de ter controle fiscal. Porque a grande dívida do Brasil é a taxa de juros que nós pagamos. O restante é investimento”.
Lula também citou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que pediu para que não haja interferência externa nas eleições brasileiras. "O Trump sabe que eu já falei para ele: não se meta na eleição do Brasil. Esse país não é um vira-lata e nem uma republiqueta de banana. Esse país tem 215 milhões de homens e mulheres que têm orgulho. É a eleição brasileira. Aqui, ninguém vai se meter. E se se meter, vão perder as eleições", disse.
Fonte: O Tempo