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Milei atribui onda anti-Argentina à esquerda internacional e responsabiliza oposição

Publicado em: 23/07/2026 às 10:39 Visualizações: 1
Milei atribui onda anti-Argentina à esquerda internacional e responsabiliza oposição

O presidente da Argentina, Javier Milei, usou intensamente sua conta na rede social X nos últimos dias para comentar a onda de manifestações consideradas anti-Argentina. Nesta quarta-feira (22/7), entre as dezenas de publicações feitas, ele compartilhou mensagens que atribuem o movimento à atuação da esquerda global e apontam a oposição argentina como uma das responsáveis pelo cenário.

Em uma das postagens compartilhadas, o escritor e influenciador de ultradireita Agustín Laje afirmou que a oposição teve papel decisivo na construção dessa narrativa. "Eles validaram o 'wokismo' que hoje nos acusa de racismo; promoveram a ideia de que os jogadores eram párias; fomentaram o ódio contra Messi; e alimentaram, a partir da própria Argentina, a mentira de que a seleção venceu graças aos árbitros e aos favores da Fifa", escreveu. Milei endossou a declaração ao responder: "Absolutamente correto".

A publicação se refere ao rechaço à Argentina durante a Copa do Mundo, na qual a seleção do craque Lionel Messi foi vice-campeã após perder para a Espanha na final do último domingo (19). As justificativas vão do suposto favorecimento da arbitragem ao país sul-americano a questões mais sérias, como cantos racistas da torcida e até mesmo o governo de ultradireita de Milei.

O texto de Laje culpa o kirchnerismo, como é chamada a principal força política de esquerda argentina, em referência aos ex-presidentes Néstor e Cristina Kirchner, e seu "wokismo", termo pejorativo para a agenda progressista importado da direita americana.

Outra publicação repostada pelo ultraliberal diz que, aos "inimigos do ocidente", convém "impedir que a Argentina volte a ser próspera". "Não é a primeira vez que tentam, mas agora Javier Milei governa e vai ser a primeira vez que fracassarão", completa Alejandro Fargosi, deputado e membro do partido de Milei.

Um internauta também compartilhou o discurso de 2024 do presidente argentino no Fórum Económico Mundial em Davos. Nele, Milei afirmou que o Ocidente estava em perigo porque aqueles que deveriam defendê-lo estão cooptados por uma visão de mundo que levaria ao socialismo.

"Há dois anos e meio, Milei nos alertou sobre a campanha global coordenada e financiada contra a Argentina, que nada mais é do que mais uma escalada antiocidental", disse o apoiador do presidente, embora o trecho do discurso compartilhado não mencione uma campanha contra a Argentina.

"Eles expressam seu ódio agora porque, com o governo de Javier Milei, estamos no caminho para nos tornarmos um país próspero novamente", afirmou a deputada Lilia Lemoine em outra publicação endossada por Milei. "Estamos avançando. E isso incomoda os progressistas invejosos e ressentidos."

O próprio presidente fez uma postagem sobre o assunto. "Você tem inimigos? Ótimo. Isso significa que você defendeu algo em algum momento da sua vida", afirmou, atribuindo a declaração ao ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill.

O tema cresceu nos últimos dias após celebridades também entrarem na onda anti-Argentina. Na noite do último domingo, o ator Samuel Leroy Jackson, por exemplo, pediu em uma publicação em seu Instagram que não torcessem pelos sul-americanos. "Argentina é, historicamente, um dos países mais racistas do mundo, se não o mais racista", afirmou.

A cantora espanhola Rosalía também entrou na controversa ao compartilhar um story da influenciadora Mia Khalifa com a música "La perla" ("a pérola" em espanhol, que pode ser uma gíria para alguém problempatico) de fundo. "Como a vida se parece agora que as 'perlas' foram derrotadas", dizia a postagem.

Com shows agendados para o início de agosto em Buenos Aires, Rosalía apagou o post após reação do público argentino. "Cliquei em compartilhar porque 'La Perla' estava tocando e eu nem li o que estava escrito. Erro meu, desculpe", escreveu em seguida.

A impopularidade da Argentina é muito diferente do cenário de quatro anos atrás, quando a torcida pelos sul-americanos era perceptível até mesmo no Brasil, adversário do país vizinho. Grande parte do apoio se devia a Messi, atualmente cobrado por não se manifestar por cantos racistas da torcida.

  Fonte: O Tempo   
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