Entre os turistas que conversaram com a reportagem, os que moram no Nordeste relataram que a insegurança já faz parte do cotidiano de outras cidades e, por isso, não assusta tanto. É o caso de Paulo Monte, de 39 anos. Morador de Fortaleza, assim como Davi, Paulo veio para Salvador acompanhar um time de futebol que participou de um campeonato.
Mesmo acostumado com a violência de onde mora, ele conta que a comissão técnica do time orientou que os jogadores não saíssem à noite antes da partida. “A gente pediu para que eles não saíssem durante a noite, especialmente sozinhos, para não correr nenhum tipo de risco”, afirma.
No dia 1º deste mês, um casal de turistas de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, foi assaltado por três homens nas proximidades do Largo de Santana, por volta de 1 hora da manha. Em um vídeo compartilhado nas redes sociais o turista chegou a afirmar que
“a cidade é linda, mas a segurança é zero”. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, secção Bahia, foi procurada, mas não respondeu os questionamentos sobre o impacto da violência no comércio.
Trade turístico cobra mais segurança diante de episódios de violência
“A divulgação de manchetes de violência na televisão, infelizmente, recai sobre a vinda de turistas para a cidade. Os turistas estão cancelando as viagens para cá”, afirma Silvio Pessoa, presidente da Federação Baiana de Turismo e Hospitalidade do Estado da Bahia (Fetur). Diante do cenário de preocupação, integrantes do trade turístico cobram ações efetivas para conter a violência em Salvador.
“Nós não podemos ter a imagem da nossa cidade comprometida com esvaziamento de turistas e baianos, comprometendo o trabalho do segmento de turismo”, pontua Jorge Pinto, vice-presidente da Abav. Durante o desfile do 7 de Setembro, o governador Jerônimo Rodrigues (PT), falou sobre os tiroteios que ocorreram em localidades como Alto das Pombas, Calabar e Engenho Velho de Brotas e negou que haverá intervenção da União na segurança do Estado. “Estamos fazendo parceria com a Polícia Federal, tanto na inteligência, como nas operações feitas. Mas, por enquanto, não há dúvidas de que não precisamos de intervenção federal”, disse o governador.
Na sexta-feira (8), a ocupação hoteleira de Salvador estava em 76%, mas a expectativa era que a taxa aumentasse durante o final de semana. Os hotéis localizados na orla, em bairros como Stella Maris, Itapuã e Barra eram os que tinham as maiores ocupações, acima de 91%. Nem todos concordam com o impacto da insegurança na chegada de turistas na capital baiana. Silvana Rós, vice-presidente da Federação Nacional dos Guias de Turismo (Fenagtur), é um exemplo disso. “Estou com 140 clientes atualmente e todos os grupos que estavam agendados vieram. Não recebi nenhum tipo de insatisfação, desistência ou comentário”, diz.