Parceria nas corridas: corredores encontram parceiros perfeitos para as atividades
Correr em companhia é uma experiência que motiva muitas pessoas. Ter um parceiro tanto nas provas quanto nos treinos pode ajudar no desempenho, na consistência da atividade, além de tornar o exercício mais prazeroso e até mais seguro. Assim é a rotina de treinos e muitas provas do empresário Marcos Guilherme Coelho, de 44 anos, que pratica corridas de ruas desde 2017, e por uma ocasião do destino encontrou um companheiro inimaginável para suas atividades.
“Em 2018, eu e um grupo de 16 ciclistas fizemos uma viagem para Aparecida-SP. Em uma trilha entre Itanhandu e Itamonte me deparei, com o que imaginei ser um tatu, mas era na verdade três filhotes de cachorros. Conseguimos levá-los para a cidade em busca de uma ONG, e enquanto aguardávamos uma pessoa responsável, eu e dois amigos decidimos adotar os bichinhos. Então eu fiquei com o ‘CRER’, a origem do nome dele é o Caminho Religioso da Estrada Real, assim ele virou o Cachorro Resgatado na Estrada Real”, conta Marcos Guilherme.
Um tempo depois da adoção de Crer, Marcos conta que deixou de praticar ciclismo e passou a se dedicar às corridas de rua, mas o que ele não sabia é que surgiria daí uma parceria improvável que mudaria sua rotina de treinos e também nas provas. “Um dia achei que dava para levar ele, e daí não parou mais de ir comigo. Virou meu grande companheiro, já perdi as contas de quantas provas ele esteve comigo. Eu não consigo sair de casa para correr se não o levar. Se eu sair sozinho, ele fica em casa chorando, uivando”, afirma o corredor.
A prática de correr acompanhado do seu cão é o desejo de muitos tutores, mas nem todos conseguem levar os bichinhos pra rua. Existem alguns desafios, principalmente para o pet, como por exemplo, se ele vai se sentir confortável para a atividade e até mesmo se irá conseguir manter um ritmo que não atrapalhe o atleta. Foi como aconteceu com a dentista Raphaela Silveira Melo Simões, de 33 anos, que começou a treinar sua companheira Lika, uma border collie, de cinco anos, para as corridas desde cedo.
“Eu pratico corrida há seis anos e com a Lika há cinco. Ela começou a correr comigo, assim que pôde sair na rua, eu levava ela para passear correndo. Corremos, em média, duas vezes por semana juntas, com uma média de 4 km por treino. Sou meia maratonista e ela já correu 11 km comigo, mas ainda não a levei a provas, é meu sonho; açá que elas sejam muito cheias”, relata Raphaela.
Cuidados essenciais
Outros pontos importantes que devem ser considerados para que o animal seja um companheiro ideal nas atividades são em relação à saúde deles. A veterinária Jéssica Costa Nogueira faz algumas observações em relação aos pets praticantes de corridas. “O principal cuidado é garantir que o animal esteja saudável antes de iniciar qualquer rotina de corridas. Recomendo uma avaliação veterinária completa para verificar a condição cardíaca, respiratória e ortopédica do cão. Algumas raças, como Bulldogs, Pug e Shih Tzu, exigem atenção redobrada devido à maior dificuldade respiratória, especialmente em atividades intensas”.
A profissional ainda completa: “Cães que correm regularmente podem ter necessidades energéticas maiores. Em alguns casos, pode haver indicação de suplementos voltados para articulações, músculos ou recuperação física, mas sempre após avaliação profissional. A hidratação é fundamental antes, durante e após os exercícios. Também é importante escolher horários mais frescos, evitar superfícies muito quentes e observar o comportamento do cão durante toda a atividade”, afirma Jéssica.
Esses cuidados são seguidos pelos corredores Marcos Guilherme e Raphaela com seus respectivos companheiros. “Sempre procuro correr nas primeiras horas do dia, para evitar o piso quente, o Crer também tem uma alimentação reforçada, além da ração, costumo oferecer ovo e fígado, como orientou a veterinária dele”, disse Marcos.
Ciente da importância de levar segurança para Lika durante as corridas, Raphaela conta que buscou orientação profissional antes de iniciar a rotina atleta da cachorrinha. “O veterinário a liberou para correr e orientou que sempre ela deveria ditar o ritmo da corrida, algumas vezes quem não consegue acompanhá-la sou. Sempre ofereço hidratação intra e pós treino e o reforço positivo com água de coco, além de uma alimentação reforçada”, conta.
Correr ao lado dos pets fortalece ainda mais a conexão entre tutores e animais, trazendo benefícios que vão além da saúde e o bem-estar dos dois. Mas é fundamental respeitar o limite dos bichinhos, adotando cuidados essenciais e buscando sempre orientação profissional. Com planejamento e atenção, as atividades podem se transformar em um momento de conexão, diversão e qualidade de vida, capaz de fortalecer ainda mais a amizade entre tutores e seus fiéis companheiros.
Fonte: O Tempo