Viana pede impeachment de Moraes e ameaça afastar Alcolumbre se houver arquivamento
O senador Carlos Viana (PSD-MG) anunciou, nesta terça-feira (1/9), que protocolou um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no Senado Federal. A ofensiva ocorre após o jornal “O Estado de S. Paulo” divulgar que o ministro teria alterado um contrato de R$ 131 milhões em serviços advocatícios firmado entre o escritório de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Além disso, Vorcaro e Moraes teriam combinado de se ver dois dias antes da primeira prisão do banqueiro, em 17 de novembro de 2025.
Em publicação nas redes sociais, o mineiro também ameaçou pedir o afastamento do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), caso o pedido seja arquivado. Segundo Viana, a solicitação tem como base informações relacionadas a um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e o Banco Master. O senador citou ainda informações sobre mensagens e cotas de um jato. “Acabo de pedir o impeachment de Alexandre de Moraes. A PF encontrou o contrato de R$ 131 milhões. Os metadados apontam o nome do ministro. O documento previa atuação perante a própria PF. E agora surgem mensagens e cotas de um jato”, escreveu.
O senador afirmou que fará uma cobrança direta a Alcolumbre para que o pedido seja analisado pelo Senado. “Se engavetar o pedido de impeachment de Alexandre de Moraes para protegê-lo da investigação do Senado, pedirei o afastamento de Alcolumbre da Presidência da Casa e sua responsabilização”, afirmou.
Viana também acusou o presidente do Senado de usar o cargo para blindar uma autoridade que, segundo ele, é alvo de investigação. “Quem usa a cadeira para blindar autoridade investigada perde a legitimidade para continuar sentado nela. Ou abre o procedimento contra Moraes, ou responderá por escolher a omissão”, declarou.
O pedido de impeachment de ministros do STF é apresentado ao Senado Federal, que é responsável pelo processamento e julgamento de ministros da Corte por crimes de responsabilidade.
Viana convocou uma coletiva de imprensa para as 16h desta terça-feira, em frente à Presidência do Senado, para tratar do pedido e das acusações contra Moraes. O senador também afirmou que pretende responsabilizar Alcolumbre caso o presidente da Casa não dê andamento à solicitação.
O deputado federal Nikolas Ferreira(PL-MG) também já havia pedido que haja uma investigação contra Moaraes no próprio STF. O parlamentar solicitou ainda que o ministro seja preso e afastado de sua funções.
Entenda o caso
As informações sobre o contrato foram divulgadas inicialmente pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, a partir de dados que teriam sido extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo a publicação, uma versão do contrato, no valor de R$ 131,2 milhões, teria sido enviada a Vorcaro em janeiro de 2024. Os metadados do documento indicariam que uma versão editada posteriormente foi aberta no sistema Office 365 em um perfil denominado “Ministro Alexandre de Moraes”.
O acordo previa o pagamento de 36 parcelas de aproximadamente R$ 3,6 milhões. Dados obtidos pela CPI do Crime Organizado, do Senado, apontam que R$ 82,2 milhões teriam sido pagos pelo Banco Master ao escritório até a prisão de Vorcaro, em novembro de 2025.
Além disso, mensagens atribuídas ao ex-banqueiro indicariam que ele e Moraes combinaram um encontro em São Paulo em 15 de novembro de 2025, dois dias antes da prisão de Vorcaro. A troca de mensagens consta de uma representação da Polícia Federal cujo sigilo foi derrubado pelo ministro André Mendonça.
O TEMPO Brasília procurou Moraes, por meio do Supremo Tribunal Federal (STF), e aguarda retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.
Fonte: O Tempo