“Não saímos à noite”: entenda como a violência atinge turismo em Salvador
Em meio aos braços pintados de branco, fitas do Senhor do Bonfim amarradas nos pulsos e as dezenas de selfies em pontos turísticos, o sentimento de insegurança também marca as viagens de turistas que visitam Salvador. As notícias sobre tiroteios na capital e as mortes de 11 pessoas em quatro dias rodaram o Brasil, o que acendeu o alerta para quem vem de fora do estado. Evitar sair à noite e andar desacompanhado na rua, além de pesquisar antes de visitar certos bairros são algumas das medidas de precaução tomadas por turistas que passaram o feriado prolongado na cidade.
A professora Isabela Galindo, 46, é de Alagoas e veio com o marido acompanhar a filha que participou de um torneio de ginástica rítmica, em Lauro de Freitas. Antes de chegar ao aeroporto, ela já estava ciente dos episódios de violência que aconteceram na capital durante a semana. As notícias que apareceram em telejornais nacionais amedrontaram a família, que evitou fazer passeios durante a noite durante a viagem.
“É uma pena ver que uma cidade tão bonita tem esses problemas de violência. A gente ficou com medo e estamos evitando sair à noite, a sensação é de que não conseguimos relaxar”, contou. Isabela e o marido passeavam no Pelourinho na manhã de sexta-feira (8). Um dos pontos turísticos mais famosos de Salvador estava tomado por grupos de turistas, que acompanhavam encantados cada ponto visitado.

O policiamento está reforçado nos espaços turísticos da cidade. Crédito: Arisson Marinho/CORREIO
Juliana Miranda, turista carioca, conta que no voo de vinda para Salvador já foi bombardeada de informações sobre a insegurança da capital baiana. “Uma pessoa que sentou do meu lado disse que ‘pelo amor de Deus’ eu tomasse cuidado. Também ouvi muitas comparações de que aqui está se tornando um Rio de Janeiro”, revelou. Juliana, que viaja com a amiga Poliane de Andrade, contou que evita usar o celular na rua e andar com correntes para não chamar atenção.
Mais do que uma sensação, o receio de turistas em virem para a capital baiana provocou cancelamentos de reservas e adiamentos de viagens. “Houveram cancelamentos, mas o percentual não atingiu nem 5% do nosso receptivo. A Abav enxerga que o trabalho de segurança deve ser pontual porque temos mais quatro feriados até o final do ano”, afirma Jorge Pinto, vice-presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens da Bahia (Abav). O cancelamento de viagens compradas através da 123 Milhas também contribui para a diminuição de viagens.
Gegê Magalhães, diretor de turismo da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador (Secult), vê com preocupação os episódios violentos, mas garante que a segurança está reforçada nos pontos turísticos da capital. “Estamos buscando soluções juntos ao Governo do Estado em prol dos problemas da população e dos visitantes. Temos reforço da Polícia Militar nos pontos turísticos e a Guarda Civil Municipal vem apoiando todos os lugares turísticos da cidade”, diz. Mais 100 agentes estão sendo treinados e devem reforçar a guarda municipal até o final deste ano.
Precaução
Apesar de não ser a primeira vez do publicitário Davi Gomes em Salvador, ele conta que ter ouvido relatos em Fortaleza, onde mora, sobre a insegurança da capital baiana, foi uma novidade. “Eu postei fotos aqui e uma amiga perguntou se eu tinha vindo para Salvador e como estava a segurança por aqui”, conta. Apesar disso, o receio não foi motivo para deixar de visitar pontos turísticos com os dois amigos que o acompanham na viagem.

A ocupação dos hotéis chegou a 76% em Salvador na sexta-feira (8). Crédito: Arisson Marinho/CORREIO
Fonte: Correio da Bahia
Foto: Arrison Marinho/Correio