Quase 2 igrejas e 5 terreiros por dia: Salvador completa 475 anos fincados na religiosidade – Simões Filho Fm
por Redação

Quase 2 igrejas e 5 terreiros por dia: Salvador completa 475 anos fincados na religiosidade


 
 
 

Há muito tempo, o dito popular que aponta a existência de uma igreja para cada dia do ano na capital baiana foi musicado pelo eterno Dorival Caymmi. Ao longo do tempo, essa realidade mudou. Atualmente, são 589 templos católicos na cidade, conforme a Arquidiocese de São Salvador da Bahia. Isso equivale a uma média de 1,6 – ou duas, aproximadamente – igrejas por dia.

A influência do catolicismo sobre a Salvador é forte desde os primórdios, já que a colonização da primeira capital do Brasil se deu, em grande parte, pelos portugueses, católicos fervorosos. “Antes de existirmos enquanto cidade, nós já tínhamos templos, capelas simples, dedicadas a Nossa Senhora”, disse o historiador Rafael Dantas.

 

 

 

 

                                                               Igreja de Nossa Senhora da Graça, em Salvador — Foto: Divulgação

Ele se refere, por exemplo, às igrejas de Nossa Senhora da Vitória e de Nossa Senhora da Graça, apontada como a primeira de Salvador e erguida antes da fundação da cidade, em 1549. Ambas são datadas em torno de 1534 e 1535.

“Segundo os mais antigos, essa igreja foi construída a pedido de Catarina Paraguaçu para acomodar uma imagem de Nossa Senhora das Graças encontrada na Bahia. Provavelmente, a Igreja de Nossa Senhora da Vitória tenha vindo em seguida. Depois, foi construída uma pequena capelinha de taipa dedicada à Nossa Senhora da Conceição. Na cidade murada, se constrói ainda a Igreja d’Ajuda. Em seguida, a Sé e o Colégio dos Jesuítas”, enumerou.

 

Teto da Igreja de Nossa Senhora da Graça com imagem de Catarina Paraguaçu ajoelhada em frente a Maria, mãe de Jesus — Foto: Reprodução/TV Bahia

Teto da Igreja de Nossa Senhora da Graça com imagem de Catarina Paraguaçu ajoelhada em frente a Maria, mãe de Jesus — Foto: Reprodução/TV Bahia

Cinco terreiros por dia

Com o crescimento da cidade, considerada a capital da América Portuguesa e, portanto, uma das mais importantes da América do Sul, a Igreja Católica ganhou mais imponência.

Essa era a religião oficial do estado, no entanto, isso não significa que não existiam outras expressões religiosas em Salvador. Só que “tudo que fugia desse padrão existia clandestinamente, como as expressões de matriz africana”.

“O sincretismo foi, entre outros pontos, uma forma de perseverar. Hoje, principalmente, as religiões de matriz africana dominam nas comunidades que rodeiam o centro antigo de Salvador. Se temos um número muito grande de igrejas católicas, tenho certeza de que são muito mais terreiros de Candomblé” afirmou Rafael Dantas.

Leonel Monteiro, presidente da Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro Ameríndia (AFA), confirma essa tese. Ele aponta que Salvador tem cerca de 2 mil terreiros, o que equivale a pouco mais do que cinco por dia, em média. “Esses números são frutos do levantamento e das nossas andanças. A gente já tem quase 2 mil terreiros cadastrados na AFA e há uma subnotificação, portanto, podemos afirmar que sim, Salvador tem mais de 2 mil terreiros”, explicou.

Lavagem do Bonfim, considerada a maior festa religiosa e popular da Bahia, mistura tradições católicas e de matrizes africanas — Foto: Árisson Carvalho

Lavagem do Bonfim, considerada a maior festa religiosa e popular da Bahia, mistura tradições católicas e de matrizes africanas — Foto: Árisson Carvalho

O doutor em antropologia e Babalorixá Vilson Caetano avalia que esse número elevado de terreiros também é resultado do processo de formação de Salvador, que teve contribuições de povos indígenas e africanos.

Fonte: G1-Bahia 


 
 
 

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