Rueda, do bastidor ao comando do União Brasil: trajetória marcada por disputas, alianças e suspeitas – Simões Filho Fm
por Redação

Rueda, do bastidor ao comando do União Brasil: trajetória marcada por disputas, alianças e suspeitas


 
 
 

A trajetória de Antônio Rueda no comando do União Brasil é um retrato das transformações e contradições recentes da política brasileira. Advogado tributarista, empresário e dirigente partidário desde os anos 2000, o político consolidou sua influência ao assumir interinamente a presidência do PSL em 2018, durante a licença de Luciano Bivar.

Dois anos depois, foi um dos principais articuladores da fusão entre PSL e DEM, que deu origem ao União Brasil em 2021, legenda que já surgiu como força de peso no Congresso.

O embate com Bivar, no entanto, definiu sua ascensão. A relação, que começou na direção do Sport Recife, se rompeu em agosto de 2023 após desentendimentos públicos e acusações mútuas.

No ápice da crise, propriedades de Rueda e de sua irmã no litoral de Pernambuco foram incendiadas em episódio investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Pouco depois, em maio de 2024, uma convenção partidária confirmou sua eleição para a presidência, mesmo sob resistência de Bivar, que chegou a tentar anular a decisão.

A posse oficial, em junho do mesmo ano, no Iate Clube de Brasília, simbolizou o fortalecimento de Rueda como liderança do Centrão. O evento reuniu desde ministros do governo Lula até expoentes da oposição bolsonarista, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Em discurso, Rueda celebrou a “unidade inédita” da legenda e prometeu ampliar a presença do União Brasil nas prefeituras em 2024.

Possível ligação com PCC e investigações da PF

Poucos meses depois, no entanto, vieram os abalos. Em setembro de 2025, o nome de Rueda foi citado em investigação da Polícia Federal (PF) sobre o envolvimento do PCC em operações financeiras e no setor de combustíveis.

Segundo depoimento de um piloto, o dirigente seria sócio oculto de aeronaves usadas por integrantes da facção criminosa. Em meio à repercussão, áudios revelados pela imprensa reforçaram suspeitas sobre seu interesse no mercado de jatos executivos. Rueda nega qualquer vínculo e afirma ser vítima de uma campanha “difamatória com pano de fundo político”.

Saída do governo e ordem para entrega de cargos

O episódio coincidiu com o desembarque formal do União Brasil do governo Lula. Em nota, a sigla acusou o Planalto de usar a PF para enfraquecer sua principal liderança e determinou que todos os filiados se afastassem de cargos federais. A decisão atingiu diretamente o ministro do Turismo, Celso Sabino, que passou a negociar sua saída com o presidente.

Na tentativa de conter danos, Rueda colocou seus sigilos à disposição da Procuradoria-Geral da República e apresentou recibos de pagamentos de voos. O gesto buscou reforçar sua versão de que utilizou serviços de táxi aéreo de forma regular, prática comum a outras lideranças partidárias, inclusive ligadas ao governo.

Ainda que não seja investigado formalmente, a menção de seu nome em operações da PF marca um ponto de inflexão em sua carreira.

De articulador discreto do PSL, passando por rival declarado de Bivar e aliado estratégico do ex-presidente da Câmara dos Deputados e ainda influente Arthur Lira (PP-AL), Rueda chegou ao comando do União Brasil em meio a promessas de expansão eleitoral, mas também sob o peso de suspeitas que testam sua capacidade de manter o partido coeso e sua imagem intacta.

Linha do tempo – A ascensão de Antônio Rueda

2000 Início na política: advogado tributarista e empresário começa a atuar na direção do PSL e no Sport Recife, ao lado de Luciano Bivar.

2018 – Assume interinamente a presidência do PSL durante a licença de Bivar, no auge da eleição de Jair Bolsonaro.

2021 Articula a fusão PSL + DEM = nasce o União Brasil, maior partido do país em bancada.

2023 (ago.) Ruptura com Bivar; incêndios em propriedades da família são investigados pelo STF.

2024 (maio-jun.) – Convenção e posse oficial como presidente do União Brasil; evento no  Iate Clube de Brasília reúne governo Lula e oposição bolsonarista.

2025 (set.) – Nome citado em investigação da PF sobre PCC e setor de combustíveis; áudios sugerem interesse no mercado de jatos executivos.

2025 (set.) União Brasil desembarca do governo Lula, acusando o Planalto de usar a PF para enfraquecer Rueda.

2025 (set.-out.) Rueda entrega sigilos à PGR e recibos de voos, tentando reforçar versão de que é alvo de campanha política difamatória.

 

Fonte: O Tempo 

 


 
 
 

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