Com 53,3 milhões de beneficiários, saúde suplementar atende 26% da população brasileira – Simões Filho Fm
por Redação

Com 53,3 milhões de beneficiários, saúde suplementar atende 26% da população brasileira


 
 
 

Está na Constituição Brasileira de 1988: compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre a defesa da saúde. O processo de democratização do país, garantido pela legislação cidadã, permitiu o nascimento e a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS), que possibilita acesso gratuito a atendimentos médicos, exames e estratégias de prevenção de doenças – como a vacinação e a distribuição de camisinhas, por exemplo.

Mas o sistema público não dá conta de oferecer saúde aos 213 milhões de brasileiros, mesmo contando com hospitais filantrópicos e várias outras instituições parceiras. Para que todos tenham acesso, é necessária a atuação da rede privada, que funciona como um suporte para a promoção da saúde no Brasil.

A saúde suplementar compreende os planos, seguros e serviços de saúde privados, sendo regulada pelo poder público por meio da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Em outubro de 2025, o número de beneficiários em planos de saúde de assistência médica chegou a 53,3 milhões em todo o Brasil e a mais de 660 operadoras, de acordo com a agência – sendo que 44,6 milhões deles possuem contratos coletivos. Neste momento, 26,23% da população brasileira tem acesso à rede privada de saúde.

Há várias regras que as operadoras devem seguir para não descumprir os direitos dos consumidores. Por exemplo: os planos de saúde não podem limitar o número de consultas, exames e internações que um cliente pode fazer por ano. Para casos de urgência e emergência, não se deve estipular carência.

Os contratos de planos de saúde só podem sofrer aumentos em duas condições: por reajuste anual ou mudança de faixa etária. Para os planos individuais, a ANS estabelece um percentual máximo de reajuste, enquanto os coletivos dependem de negociação entre operadoras e clientes. Quanto mais funcionários uma empresa tem, maior o poder de barganha na hora de negociar.

Reclamações sobre planos de saúde privados devem ser encaminhadas à ANS, mas é importante saber que a agência não regula os que são oferecidos por governos, como os de servidores públicos. Nesses casos, o responsável é o próprio órgão que oferece o plano (União, estado ou município). A entidade também não regula os prestadores de serviços de saúde, como hospitais, clínicas, laboratórios, médicos e outros profissionais.

Desafios da saúde suplementar

Embora a saúde suplementar seja sustentada pelas mensalidades referentes aos 53,3 milhões de beneficiários, é preciso todo o sistema saber equilibrar bem as contas para não entrar em colapso. Em 2025, por exemplo, as atividades da Golden Cross foram encerradas devido a problemas financeiros graves, e 300 mil beneficiários foram migrados para outros planos.

Para que a saúde financeira das operadoras estejam em dia, é fundamental conhecer os perfis dos beneficiários e desenvolver estratégias de prevenção e promoção de saúde, para evitar internações.

De acordo com o estudo Vigitel 2008-2023 sobre saúde suplementar entre moradores de capitais brasileiras, o percentual de beneficiários de planos de saúde com sobrepeso subiu de 46,4% para 60,9% em somente 15 anos. O percentual de obesos subiu de 12,5% para 21,9% no mesmo período.

Sobre as doenças crônicas mais comuns, a pesquisa indica que 26,3% dos beneficiários tinham diagnóstico de hipertensão em 2023, enquanto 9,8% disseram ser diabéticos.

A pesquisa, feita todo ano por telefone a pedido do Ministério da Saúde, também indica que somente 28% dos beneficiários da saúde suplementar consomem cinco ou mais porções diárias de frutas e hortaliças, enquanto 15% assumiram ter consumido ao menos cinco produtos ultraprocessados no dia anterior – dois indicadores de que boa parte dessa população não está tão focada em uma alimentação saudável.

O Vigitel também indicou que houve um crescimento percentual entre os beneficiários que fazem atividade física regularmente. Em 2009, 33,5% dos beneficiários de planos de saúde praticavam atividades físicas no tempo livre equivalentes a pelo menos 150 minutos semanais. Em 2023, o percentual subiu para 49%.

A questão é que o percentual cai vertiginosamente quando se olha apenas para os beneficiários com mais de 65 anos. De acordo com o Vigitel, somente 32,4% dos idosos que possuem plano de saúde fazem atividade física regularmente. Uma pequena evolução em relação ao que havia sido aferido no início da linha histórica da pesquisa: em 2009, 31,2% dos idosos beneficiários praticavam exercícios por pelo menos 150 minutos por semana.

A FenaSaúde, que reúne boa parte das grandes operadoras de saúde suplementar do país, informa que suas associadas têm desenvolvido estratégias de prevenção junto aos beneficiários. “As operadoras mantêm programas estruturados para pacientes com doenças crônicas, oferecendo acompanhamento remoto, educação em saúde, telemonitoramento e cuidados coordenados. Entre os exemplos, destacam-se iniciativas como programas de saúde ativa, acompanhamento contínuo de pacientes, ações preventivas e de autocuidado e linhas de cuidado específicas para portadores de patologias crônicas, incluindo condições cardiovasculares, endócrino-metabólicas e respiratórias”, afirmou a entidade, por meio de nota.

Fonte: O Tempo 


 
 
 

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