Por que discos de vinis são tão caros? Especialistas explicam
Foi-se o tempo em que os vinis era a mídia física principal para armazenamento das músicas. No entanto, a cada ano, cresce mais o interesse pelas bolachas. Em 2023, a venda de vinis superou a de CDs pela primeira vez, segundo relatório da Pró-Música, instituição que reúne as maiores gravadoras do país.
O mesmo levantamento demonstrou que o segmento de vendas físicas do mercado de música no Brasil registrou um crescimento de 31,5%, impulsionado pelo retorno do vinil, que dominou o setor com 76,7% do faturamento.
O gosto pelos vinis, no entanto, esbarra em um entrave: o alto custo dos discos. O preço de um LP novo fica na casa dos R$ 200, valor elevado para colecionadores, por exemplo. Esses preços são elevados porque a produção de um disco é cara. Dono de um acervo com cerca de 15 mil vinis e proprietário da loja Discoteca Pública, no Santa Tereza, Edu Pampani avalia que alguns fatores explicam os altos custos.
“O que torna tudo mais caro é a matéria-prima, os impostos e o fato de o disco de vinil ainda ser feito praticamente da mesma forma que há 60 anos, de maneira muito artesanal. A tecnologia evoluiu, mas não de verdade. Hoje, um disco no Brasil pode chegar a custar 15% do salário mínimo, isso é caríssimo”, avalia.
Diretor da Noize e Noize Record Club, Pablo Rocha também enumera as dificuldades. “Produzir vinil no Brasil é caro: insumo importado, tiragem limitada, logística complexa. O desafio é equilibrar tudo isso mantendo qualidade de áudio, acabamento premium e preço viável”, aponta. Os próprios artistas concordam que fazer disco é um processo dispendioso.
A artista Tiê sempre quis lançar seus trabalhos em vinil, mas só conseguiu realizar esse sonho a convite da Fábrica Rocinante, ocasião em que produziu “Esmeraldas”, álbum de 2014 da artista. “Sempre foi um sonho! Disco é um objeto caro, tanto para quem consome quanto para quem produz. Eu, sozinha, não conseguia lançar. Quando a Rocinante me convidou, foi maravilhoso. Agora, posso levá-lo para os shows, é outro universo. Tenho em casa”, celebra.
Uma alternativa aos altos preços dos discos são os clubes de assinaturas de vinis. No Brasil, existem três grandes clubes: a Noize Record Club, a Três Selos Rocinante e o Clube do Vinil Universal, em que o cliente gasta aproximadamente R$ 100 para receber uma bolacha em casa.
Compositor e diretor artístico da Rocinante, Sylvio Fraga afirma que, com fábrica de produção própria, os custos são mais baixos. “A fábrica é nossa, com um modelo de negócio um pouco diferente, mas que funciona. Existe um custo, e a ideia é sempre tentar viabilizar a produção, com a possibilidade de fazer menos discos para não sair tão caro.
“Com os clubes, nossa produção contínua e previsível e conseguimos negociar melhor, planejar melhor e entregar um valor final mais acessível do que seria no varejo tradicional. A premissa do Noize Record Club é difundir a cultura do vinil, por isso o preço da assinatura é bem competitivo, onde você recebe um disco prensado exclusivo + uma revista sobre o disco”, aponta Pablo Rocha.
Fonte: O Tempo