Careca do INSS enviou R$, 1,5 milhão a amiga de Lulinha e citou ‘o filho do rapaz’ – Simões Filho Fm
por Redação

Careca do INSS enviou R$, 1,5 milhão a amiga de Lulinha e citou ‘o filho do rapaz’


 
 
 

O empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, transferiu R$ 1,5 milhão para a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, segundo documentos obtidos da Polícia Federal (PF) na investigação sobre o esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).

Lulinha é filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O volume teria sido transferido em parcelas de R$ 300 mil. Em uma dessas transferências, o Careca do INSS, apontado como o principal operador da fraude, disse que o dinheiro era para “o filho do rapaz”. O relatório da PF não identifica quem é o “filho do rapaz” nem sugere a sua identidade.

Roberta é neta do suíço Peter Paul Arnold Luchsinger, ex-acionista do banco Credit Suisse. A amiga do filho de Lula é apontada como o núcleo político do esquema de desvios de aposentadorias e pensões. Mesmo após a primeira fase da Operação Sem Desconto, em abril, ela manteve relações com o Careca do INSS, segundo a PF.

“Mesmo após a Operação Sem Desconto ter sido deflagrada em abril de 2025, Antônio Camilo e Roberta Luchsinger continuam a se falar e a planejar a continuidade dos ilícitos. Ela, inclusive menciona ‘Distantes nesse momento, mas seguimos. Tudo vai se resolver’. E ROBERTA chega a sugerir um advogado para a defesa de Antônio Camilo em relação às acusações que lhe são imputadas”, observa a PF.

As informações estão na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que usou relatório da PF para autorizar a mais recente fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta quinta-feira (18), que apura a fraude envolvendo o INSS.

“Em outra mensagem apreendida, Antônio Camilo faz referência à necessidade de se fazer mais uma parcela de pagamento de R$ 300 mil. Ao ser indagado por Milton [Júnior, contador do Careca do INSS] acerca de quem seria o destinatário dos valores, Antônio Camilo responde: ‘O filho do rapaz’”, reproduziu Mendonça, na decisão para a operação.

Roberta foi alvo de busca e apreensão na operação desta quinta-feira. Também recebeu tornozeleira eletrônica e está proibida de deixar o país, além de manter contato com outros investigados. Sua defesa não havia se manifestado até a mais recente atualização desta reportagem. Anteriormente, quando ela foi citada, alegou que o dinheiro repassado por Antunes não tinha relação com o INSS. Seria destinado a um projeto de canabidiol que Roberta desenvolvia com ele, mas não foi adiante.

Lula garante que o filho vai ser investigado

As defesas do Careca e de Fábio Luís não se manifestaram. O presidente Lula afirmou que o governo federal vai seguir investigando as fraudes bilionárias no INSS, independentemente de quem esteja envolvido no esquema de corrupção. “Se tiver filho meu metido nisso, vai ser investigado”, declarou, em encontro com jornalistas nesta quinta.

“A decisão de apurar esse fato foi do governo. E por que demorou? Demorou porque, como a gente não quer fazer pirotecnia, a gente quis investigar com seriedade. A nossa Controladoria levou praticamente dois anos fazendo a investigação. Porque seria muito fácil fazer uma denúncia e não apurar”, afirmou Lula.

Segundo o presidente, desde que haja seriedade nas investigações, nenhum envolvido será poupado. “Ninguém ficará livre. Se tiver filho meu metido nisso, ele será investigado. Se tivesse meu pai, que já morreu, ele não. Se tiver o Haddad, ele vai ser investigado; se tiver o Rui Costa, com essa seriedade, também será investigado”, afirmou.

Filho do Careca do INSS também está preso 

Também foram presos nesta quinta-feira Romeu Carvalho Antunes, filho mais velho do Careca do INSS, e o advogado Eric Douglas Martins Fidelis, filho do ex-diretor de Benefícios do INSS André Fidelis, preso na fase anterior da Operação Sem Desconto.

A PF afirma ter provas de que Romeu Antunes atuava como “sucessor do pai” em esquemas fraudulentos, “conduzindo negociações, estruturando novas empresas, intermediando contato com outros investigados e mantendo a continuidade da lavagem de capitais, inclusive no exterior”.

“Romeu dolosamente [de forma intencional] descumpria restrição judicial imposta ao pai, haja vista que servia de ponte para a comunicação entre Antônio e investigados”, diz trecho do relatório da PF que embasou a decisão de André Mendonça.

PF diz que senador é ‘sócio oculto’ de quadrilha

No pedido para realização da mais recente fase da Operação Sem Desconto, a PF também apontou indícios de vínculos estreitos dos principais investigados mantinham com o senador Weverton Rocha (PDT-MA), colocado como “sócio oculto”.

“O senador Weverton teria, segundo a peça de representação da Polícia Federal, atuado como beneficiário final (“sócio oculto”) de operações financeiras estruturadas pela organização criminosa, recebendo recursos ou benefícios por meio de interpostas pessoas, alguns seus assessores parlamentares”, diz trecho da decisão assinada por André Mendonça .

Além de afirmar que Weverton Rocha se beneficiou “dos valores ilícitos provenientes dos descontos associativos fraudulentos”, a PF coloca o senador como “sustentáculo político” da organização criminosa, “o que ampliava a capacidade de influência e blindagem institucional do grupo”. Por isso, pediu a prisão dele, mas, sem respaldo da Procuradoria-Geral da República (PGR), Mendonça negou.

No entanto, o ministro, que expediu os mandados para a operação desta quinta, autorizou buscas e apreensões em endereços de Weverton Rocha e pessoas ligadas a ele, como Adroaldo Portal, até então o número 2 do Ministério da Previdência Social. Mendonça mandou Portal para prisão domiciliar e o afastou do cargo. Depois da divulgação da operação da PF, ele foi exonerado do ministério.

Em curta nota, divulgada logo após a operação, Weverton Rocha disse que “recebeu com surpresa a busca” na residência dele, mas está “à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas assim que tiver acesso integral à decisão”.

Os elos dos investigados com o senador

Adroaldo Portal já trabalhou como chefe de gabinete de Weverton Rocha e foi gestor das equipes de assessoramento técnico no cargo de Chefe de Gabinete da Liderança da Bancada do PDT na Câmara. Exerceu a mesma função no Senado. Também ocupou outros cargos no governo federal, sempre indicado por políticos do PDT.

Investigações da PF apontaram que o Careca do INSS esteve com Weverton Rocha em diferentes ocasiões, por intermédio de Portal. À CPI do INSS, Antunes confirmou que esteve no gabinete de Weverton e foi a um churrasco de costela na casa do senador.

Quem são os presos na nova fase da Sem Desconto

Nesta quinta, agentes foram às ruas para cumprir 52 mandados de busca e apreensão, 16 mandados de prisão preventiva e outras medidas cautelares, como monitoramento por meio de tornozeleira eletrônica, nos estados de São Paulo, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Minas Gerais e Maranhão, além do Distrito Federal.

Os mandados de prisão foram emitidos contra as seguintes pessoas:

  • Adroaldo Portal, secretário executivo da Previdência;
  • Romeu Carvalho Antunes, filho do “Careca do INSS”;
  • Eric Fidélis, filho do ex-diretor de Benefícios do INSS André
  • Fidelis;
  • Thiago Schettini Batista;
  • Domingos Sávio de Castro;
  • Adelino Rodrigues Junior;
  • Rubens Oliveira Costa;
  • Alexandre Caetano;
  • Milton Salvador de Almeida Júnior;
  • Paulo Gabriel Negreiros;
  • Alexandre Guimarães;
  • Rodrigo Moraes;
  • Gustavo Marques Gaspar;
  • Alexandre Moreira da Silva;
  • Sílvio Roberto Machado Feitoza;
  • Aldo Luiz Ferreira.

Ministro diz que ‘governo não protege ninguém’

O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, garantiu que a pasta não foi alvo da nova fase da Operação Sem Desconto e que é uma surpresa as suspeitas sobre Adroaldo Portal.

“Eu determinei imediatamente que ele fosse exonerado [após a operação desta quinta], convidei para ocupar o cargo de secretário executivo, Doutor Felipe Cavalcante e Silva, que é consultor jurídico do ministério e é procurador federal da AGU”, disse Queiroz.

“É o que eu disse anteriormente, o governo não protege ninguém, o governo vai às últimas consequências, essa é a determinação do presidente Lula”, ressaltou o ministro, que deu curta declaração, encerrando rapidamente o que seria uma entrevista coletiva.

Desvios de R$ 6,3 bilhões e devolução

Investigação da PF, que veio à tona com a Operação Sem Desconto, em abril, revelou um esquema de descontos não autorizados de valores recebidos por aposentados e pensionistas do INSS, de 2019 a 2024. Os desvios, segundo o apurado, pode chegar a R$ 6,3 bilhões.

Após a primeira fase da operação, o governo federal começou a devolver aos aposentados e pensionistas o dinheiro descontado irregularmente. O repasse está sendo feito em parcela única e sem lista de prioridades. As pessoas prejudicadas têm até 14 de fevereiro de 2026 para pedir o dinheiro de volta.

 

Fonte: O Tempo

 


 
 
 

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