Lulinha diz receber com ‘tranquilidade’ quebra de sigilo e nega ligação com fraude no INSS
A defesa do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, afirmou que recebeu “com tranquilidade” a decisão que determinou a quebra de seus sigilos bancário e fiscal, tanto no âmbito da CPMI do INSS quanto no inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). A medida no Judiciário foi autorizada pelo ministro André Mendonça antes mesmo da votação tumultuada na comissão do Congresso.
Em nota, o advogado Guilherme Suguimori sustenta que Lulinha “não teve nenhuma participação nas fraudes do INSS e não cometeu nenhum crime”. A defesa afirma ainda que, desde o início das apurações, ele se colocou à disposição do STF para prestar esclarecimentos e apresentar documentos. Segundo o texto, o envio das informações seria “etapa inevitável” para esclarecer fatos, afastar suspeitas e evitar a politização do caso.
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O advogado informou que protocolou petição no STF solicitando acesso à decisão que autorizou a quebra dos sigilos e reiterou que pretende entregar os documentos considerados pertinentes. Para a defesa, a medida seria “dispensável”, uma vez que não haveria necessidade de impor a quebra de sigilo a alguém que, segundo argumenta, demonstrou interesse em colaborar.
O nome de Lulinha entrou na mira das apurações após a Polícia Federal (PF) apontar suspeitas de movimentações financeiras que, segundo investigadores, poderiam indicar o recebimento de valores mensais supostamente ligados ao esquema de corrupção contra aposentados. Esses elementos embasaram o pedido de quebra de sigilos no inquérito relatado por Mendonça no STF.
Paralelamente, a CPMI do INSS também aprovou a quebra de sigilos do empresário em sessão marcada por tumulto. A votação ocorreu em meio a confronto entre parlamentares da base e da oposição, com troca de acusações, empurrões e agressões físicas. Após a deliberação, governistas contestaram a condução da votação simbólica e recorreram à Presidência do Congresso, alegando irregularidades no anúncio do resultado.
A defesa de Lulinha, no entanto, afirma que confia no esclarecimento dos fatos tanto no âmbito da comissão parlamentar quanto no Supremo. Segundo os advogados, a expectativa é de que a análise dos dados bancários e fiscais reforce a tese de ausência de envolvimento nas supostas irregularidades investigadas na concessão de benefícios previdenciários.
Em declarações anteriores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que todos os envolvidos no esquema de fraudes no INSS devem ser investigados, independentemente de vínculos pessoais. Segundo o petista, “ninguém ficará livre” e, caso um filho seu esteja envolvido, também deverá ser alvo de apuração séria e sem politização.
Fonte: O Tempo