CPMI do INSS: Carlos Viana detalha como funcionou a fraude contra aposentados
O esquema criminoso que sobreviveu a três governos, provocando rombo superior a R$ 6 bilhões no INSS, só se estendeu por tanto tempo graças ao apoio político, avaliou o senador Carlos Viana (Podemos-MG). Presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga o caso no Congresso, Viana comparou o esquema a um câncer, e detalhou, em entrevista exclusiva a O TEMPO, como os envolvidos atuavam.
As irregularidades no INSS atravessaram os governos Michel Temer (MDB), que chefiou o país de 2016 a 2018; Jair Bolsonaro (PL), que esteve no Palácio do Planalto entre 2019 e 2022; e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que assumiu em 2023. A CPMI apura ainda quem indicou, em cada um dos governos, os envolvidos no esquema. Na quinta-feira, o ex-presidente do INSS no governo Lula, Alessandro Stefanutto, foi preso. No mesmo dia, José Carlos Oliveira, ex-ministro da Previdência no governo Bolsonaro, foi alvo de operação da PF.
O senador disse que os envolvidos no esquema permaneceram por muito tempo em cargos no INSS, e que isso não teria ocorrido se não tivessem apoio direto de políticos. “Eles ocupavam cargos indicados. As diretorias do INSS são indicações políticas. Naturalmente que se olha currículos técnicos, mas a indicação política é o que manda”, afirmou.
CPMI do INSS vai ouvir bancos
O senador Carlos Viana disse que as investigações da CPMI entram agora em nova fase. “O núcleo principal que roubou a Previdência e distribuiu esse dinheiro via laranjas e empresas fantasmas está praticamente todo na cadeia. As investigações estão avançando agora na determinação de culpa daqueles que receberam dinheiro”, afirmou o parlamentar.
O parlamentar afirmou que, na nova fase, há previsão de duas delações premiadas de envolvidos no esquema. Uma já está acertada. A outra é de investigado que já demonstrou interesse em fechar o acordo, mas o tempo não foi assinado até o momento. O senador disse ainda que bancos responsáveis pelos pagamentos dos benefícios também serão ouvidos em outra fase das investigações, que tem prazo para terminar em março de 2026, havendo possibilidade de prorrogação.
Fonte: O Tempo