Vander Lee tem registros inéditos em voz e violão lançados, incluindo canção nunca revelada – Simões Filho Fm
por Redação

Vander Lee tem registros inéditos em voz e violão lançados, incluindo canção nunca revelada


 
 
 

O planeta. A imensidão do globo terrestre. Ou a porção mais significativa da ideia que temos de totalidade. É dessa magnitude que se constitui o sentimento experimentado por Regina Souza naquele momento, mesclado a uma espécie de catarse. A cantora se lembra com detalhes de quando, por volta das 3 horas da manhã, recebeu um telefonema do aeroporto, com destino a Montes Claros.

“A espera, a distância, a saudade o inspirou a compor essa canção”, diz. A reação veio ao ouvi-la pela primeira vez. “Chorei um mundo!”, resume Regina. A partir de “Esperando Aviões”, o acontecimento tornou-se costume. “Ele dizia: ‘fiz uma música pra você’. Pegava o violão e cantava. Dependendo da música era choro, riso, era reconciliação. Coisas de casal mesmo”, compartilha a viúva de Vander Lee, que esteve com o músico ao longo de 15 anos.

“Eu trabalho com o acervo do Vander Lee desde que ele morreu, em agosto de 2016, portanto há quase 10 anos convivo com essas memórias. E essas descobertas foram acontecendo no decorrer desse tempo”, conta Regina, à frente do lançamento de “Vander Lee, Voz e Violão – Vol. 1”, que chega às plataformas digitais com registros inéditos deixados pelo cantor belo-horizontino, incluindo uma versão inédita de “Esperando Aviões”, um dos clássicos românticos de seu repertório. O material encontrado é fruto do hábito de Vander Lee de levar suas canções para o estúdio, a fim de conceder gravações superiores às caseiras. Todas contam unicamente com a voz e o violão do artista, e, como prenuncia o título, são apenas as primeiras reveladas.

“Quando ouvi algumas canções nesse registro voz e violão, que tinham uma qualidade de estúdio, mesmo não tendo sido gravadas para serem lançadas, entendi o valor do que estava ali”, sustenta Regina. Em 2021, a família de Vander Lee colocou na praça a então inédita “A Vida Não São Flores”, com o acréscimo de um arranjo. “Sentimos que, no caso dessa música, seria mais interessante, pela própria qualidade técnica da gravação. E desde então não fizemos mais nenhum lançamento, mas já sabíamos que um dia teríamos que disponibilizar para o público muitas dessas canções que encontramos”, justifica a viúva.

“Trabalhar com acervo é uma coisa delicada. Exige um respeito muito grande pelo artista, pela obra. E pelo fato de eu ter sido casada com Vander Lee por muitos anos, de conhecer profundamente sua obra, existe um amor, afeto e respeito que permeiam a forma como lido com a sua memória e com tudo o que ele produziu musicalmente”, complementa. A atual leva conta com 11 faixas, como “O Baile dos Anjos”, composta durante um réveillon em Copacabana, “Contra o Tempo”, “Pra Ela Passar”, “Lenço e Lençol”, “Do Brasil”, “Menino” e “Sambado”, algumas previamente disponibilizadas nas redes como forma de aperitivo à novidade.

“Idos Janeiros”, parceria com Flávio Venturini, “Outra Manhã”, do primeiro CD de Vander Lee, e a totalmente inédita “Lenda” completam o presente aos fãs. “‘Lenda’ é uma canção do cotidiano, de amor, de relação. Não estava prevista para ser lançada. Quando a gente começou a namorar eu morava no Sion, depois mudei para o Anchieta. Então é isso mesmo: ‘Descendo a calçada do Anchieta…’”, cantarola Regina. “Vander Lee experienciava a vida e traduzia suas experiências, seus sentimentos, sua percepção das coisas, das pessoas, de si mesmo e de suas contradições, na sua música. Mas também deixava a sua criatividade fluir. E ele era um ótimo contador de histórias. Sua música revela tudo isso”, exalta.

Original

Regina afirma que nunca teve dúvidas acerca da genialidade do companheiro. “Ele é um grande poeta e um compositor muito original. E acho que isso fica mais evidente quando a gente escuta suas canções nesse formato. Ali é somente ele. Sua composição, sua poesia, a voz, a melodia e o seu violão. E claro que um álbum inteiro onde é isso que está sendo apresentado ressalta toda a força da sua obra e da sua arte. O violão do Vander Lee era uma extensão do seu corpo, voz e alma. E eu, particularmente, sempre fiquei impressionada com a capacidade dele se apresentar dessa maneira, somente voz e violão. Ele conquistava qualquer plateia. Eram shows surpreendentes. Ele tinha o domínio total da cena”, analisa.

A referida originalidade do compositor chamou a atenção de intérpretes como Gal Costa, Maria Bethânia, Elza Soares, Emilinha Borba e Zeca Baleiro, que regravaram suas canções. Atualmente, uma nova geração também tem descoberto (e redescoberto) a obra de Vander Lee, sobretudo através das mídias digitais. “Pessoas de todas as idades e gerações cantam e tocam suas músicas. Nós vemos isso nas redes sociais. Sempre repostamos as diversas interpretações, tanto de artistas da música que atuam profissionalmente, quanto de pessoas que simplesmente gravam vídeos, postam suas músicas, comentam. As redes do Vander Lee são muito ativas, a gente tem um trabalho muito direcionado para todas elas, e isso tem trazido muito resultado. Tanto dos fãs, que encontram ali um espaço para falarem sobre ele e suas músicas, quanto de inúmeras pessoas que vêm descobrindo sua obra”, afiança Regina.

O horizonte, afinal, reserva planos a perder de vista. No dia 3 de março de 2026, quando Vander Lee completaria 60 anos, está previsto o lançamento de um livro. “Não é uma biografia, mas um livro de imagens, com fotos, manuscritos, textos, discografia, impressos, enfim, um apanhado da sua trajetória”, detalha Regina. Como se não bastasse, há ainda um projeto de show e de uma exposição, à espera de patrocinadores. “E continuamos a divulgação da sua obra nas redes oficiais, onde as pessoas podem acompanhar todos os projetos do acervo e também nossos conteúdos”, arremata.

 

Fonte: O Tempo 

 


 
 
 

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