Irã nega negociações ‘diretas ou indiretas’ com EUA
O embaixador do Irã no Paquistão afirmou nesta quarta-feira (25) que não aconteceram negociações “diretas ou indiretas” com os Estados Unidos, apesar da afirmação do presidente Donald Trump sobre conversações em curso para tentar acabar com a guerra.
“Também tomamos conhecimento dos detalhes por meio da imprensa, mas, segundo as informações de que disponho — e ao contrário do que afirma Trump —, até agora não houve negociações, nem diretas nem indiretas, entre os dois países”, afirmou o embaixador Reza Amiri Moghadam.
Os bombardeios prosseguiam nesta quarta no Oriente Médio, apesar do plano de paz anunciado por Donald Trump, com mísseis e drones iranianos lançados contra Israel e países do Golfo e ataques israelenses contra Teerã e o Líbano.
Irã e Estados Unidos negociam “neste momento” para tentar encerrar o conflito iniciado em 28 de fevereiro, afirmou na terça-feira o presidente Donald Trump. Ele informou que seu enviado Steve Witkoff, seu genro Jared Kushner, o vice-presidente JD Vance e o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, participam no processo.
Vários meios de comunicação, incluindo o jornal New York Times e a emissora de televisão israelense Channel 12, afirmam que o governo Trump propôs um plano de paz de 15 pontos ao Irã com a mediação do Paquistão, que mantém boas relações com as partes.
Segundo três fontes não identificadas citadas pelo Channel 12, o governo dos Estados Unidos propõe um cessar-fogo de um mês, período para que as autoridades iranianas analisem suas exigências.
Segundo o canal israelense, dos 15 pontos do plano, cinco se referem ao programa nuclear iraniano, outros impõem o abandono do apoio aos aliados do Irã na região, como o Hezbollah ou o Hamas, e um tópico exige que o Estreito de Ormuz permaneça aberto à navegação marítima.
Em contrapartida, o Irã conseguiria a suspensão das sanções internacionais e apoio para seu programa nuclear civil.
Segundo a Organização Marítima Internacional (OMI), o Irã está flexibilizando a pressão em Ormuz, por onde passava 20% da produção mundial de hidrocarbonetos antes da guerra, e permitirá a “passagem segura de navios não hostis”.
O bloqueio da passagem desde o início da guerra provocou a disparada dos preços do petróleo, com cotações acima de 100 dólares por barril.
Na terça-feira, Trump mencionou “um presente muito grande”, uma possível referência à reabertura parcial de Ormuz, informação que provocou a queda dos preços do petróleo.
O Irã, no entanto, não confirmou nenhuma negociação e o presidente do Parlamento do país, Mohammad Baqer Qalibaf — que segundo o site de notícias Axios seria o interlocutor de Washington — negou categoricamente qualquer conversação.
A imprensa americana também informou o envio ao Oriente Médio de 3.000 soldados paraquedistas como reforço.
Fonte: O Tempo