Sexo entre amigos fortalece ou complica a relação? Entenda os efeitos – Simões Filho Fm
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Sexo entre amigos fortalece ou complica a relação? Entenda os efeitos


 
 
 

Transar com um amigo é uma combinação gostosa ou arriscada? Segundo a ciência, este é um casamento perfeito — não literalmente. Estudo publicado no jornal norte-americano Archives of Sexual Behavior, em 2017, revelou que amigos que mantêm relações sexuais tendem a se sentirem mais conectados entre si.

A pesquisa ouviu 171 estudantes universitários norte-americanos, que afirmaram ter feito sexo casual com um confidente pelo menos uma vez no ano.

Outra análise, esta realizada pela universidade Boise State University, dos Estados Unidos, em 2016, revelou que 69% das mulheres e 47% dos homens admitiram ter tido, em algum momento, uma relação deste tipo. No mesmo levantamento, 76% disseram que a amizade ficou mais forte depois de transarem.

Para a psicologia, porém, a resposta para a pergunta do início do texto é: “depende”. A vida não é ciência exata, e existem alguns fatores que podem levar ao rompimento de uma amizade depois de uma noite de prazer.

“A questão é: sexo ativa vínculo tanto biológico quanto emocional. Hormônios como ocitocina e dopamina entram em cena, e eles não ‘sabem’ que aquilo é só casual. Na prática clínica, o que se observa é que frequentemente um se envolve mais que o outro, mesmo que no início ambos neguem isso”, entende a sexóloga e terapeuta de casais Walkiria Fernandes.

A avaliação da especialista, no entanto, não exclui o fato de uma transa entre amigos pode, sim, ser muito boa, desde que se observem alguns aspectos. “Funciona melhor quando há clareza emocional real (não só racional), não existe carência ou expectativa escondida, e ambos têm nível semelhante de desapego”, destaca.

Também sexóloga e terapeuta sexual, Fernanda Viana concorda. “A chamada amizade colorida parte do princípio de que dois indivíduos vão ter uma intimidade, confiança e liberdade sem a necessidade de exclusividade. Ela não carrega o peso do compromisso de uma relação fechada, na qual há cobranças, ciúmes e possessividade”, identifica.

Antes de dar início a uma relação como esta, é importante fazer certos combinados. Walkiria sugere que algumas perguntas sejam feitas entre as partes, como que lugar a relação ocupa na vida de ambos; se haverá exclusividade; se é possível continuar falando de outros interesses amorosos; qual deve ser o contexto e a frequência; e como agir em público. “O que acontece é que quase ninguém faz esses combinados, e depois alguém acaba sofrendo”, aponta.

Dessa forma, é fundamental uma conversa na qual expectativas de todos estejam ajustadas. “Muita gente ainda está apegada ao ideal de amor romântico, à ideia de fusão, uma só carne, e do ‘até que morte os separe’… Por isso, nem todas as pessoas estão prontas para uma relação onde há tanta liberdade”, indica Fernanda Viana.

Além disso, é importante não colocar somente “na conta do outro” o peso de uma relação assim. Se a transa com um amigo rolou e deixou uma das partes confusas, o ideal é que se faça uma autoanálise para conseguir identificar se existe ou não maturidade emocional para prosseguir com encontros sexuais sem compromisso.

“Sinais de maturidade para esse tipo de relação incluem saber se observar com honestidade; conseguir diferenciar desejo, carência e afeto; tolerar frustração sem criar fantasia; capacidade de comunicar desconforto; e não usa o outro para preencher vazio. É importante entender que se a pessoa precisa ‘aguentar’ algo que dói. Isso significa que ela ainda não está pronta”, analisa Walkiria.

E se a paixão vier?

Fatalmente, sentimentos que ultrapassem o tesão podem surgir quando dois amigos mantém relações sexuais, na avaliação a sexóloga e terapeuta de casais Walkiria Fernandes.

“Sentimentos quase sempre surgem em algum nível. O erro mais comum é fingir que não está acontecendo para ‘não estragar.’ O caminho mais saudável é reconhecer isso internamente sem julgamentos, nomear com honestidade e conversar com o outro antes de virar frustração silenciosa. E aqui entra algo importante: sentir não é o problema, mas esconder é”, comenta.

Além disso, é importante ter em mente que, se o sexo é sem compromisso, uma das partes pode se envolver com outra pessoa e começar um relacionamento fechado, no qual não existe mais a possibilidade de transas casuais com o amigo. Nesse caso, podem surgir alguns riscos, segundo a especialista.

“Um sente perda, mesmo sem admitir, e a amizade fica carregada de não-dito. O caminho mais saudável é encerrar o sexo com clareza, validar o que existiu e reorganizar os limites da amizade. E sim, pode doer. Mas insistir costuma doer mais”, confirma.

A sexóloga analisa ainda que “muitas relações de amizade com sexo são, na verdade, vínculos afetivos sem nome ou sem coragem de assumir.”

“E isso muda tudo, porque não é sobre ‘pode ou não pode’, mas, sim, sobre o que cada um sente de verdade, o quanto isso está sendo dito e o quanto está sendo sustentado com maturidade. Em resumo: para que exista uma boa relação de sexo entre amigos, é necessário que a comunicação entre eles seja bem clara, que as expectativas de cada um estejam bem alinhadas e bastante maturidade emocional”, arremata.

 

Fonte: O Tempo 

 


 
 
 

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