Preso na CPI do INSS, presidente da Conafer é solto após prestar depoimento e pagar fiança
O presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, foi preso em flagrante na madrugada desta terça-feira (30/9), enquanto prestava depoimento à CPMI do INSS.
Segundo o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), Lopes mentiu ao colegiado, mesmo após ter se comprometido a falar a verdade. “Ele mentiu deliberadamente à CPMI”, afirmou Viana.
Segundo o senador, o presidente da Conafer ocultou informações e tentou convencer o colegiado de que a operação era regular. Ao agir dessa forma, Lopes teria cometido crime de falsidade ideológica.
Lopes negou envolvimento em fraudes nos descontos de aposentados, mas afirmou desconhecer detalhes de operações de pessoas e empresas ligadas à entidade, investigadas por irregularidades.
O presidente da Conafer foi solto por volta de 4 horas desta terça-feira, após prestar depoimento ao delegado plantonista da Polícia Legislativa do Senado e pagar fiança. O valor não foi divulgado.
Investigação
O inquérito da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) aponta a Conafer como campeã em descontos irregulares entre 2019 e 2024. A entidade foi a que aumentou os descontos em benefícios no período, com os valores saltando de R$ 400 mil para R$ 277 milhões.
As operações da PF e da Controladoria-Geral da União (CGU) miraram os operadores financeiros da Conafer. Agentes cumpriram mandados de busca contra Cícero Marcelino e Ingrid Pikinskeni. A investigação suspeita que parte dos valores recebidos pela Conafer do Fundo do Regime Geral da Previdência Social (FRGPS) foi repassada a Carlos Lopes.
No depoimento à CPMI, o relator, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), confrontou o presidente da Conafer com os dados que indicam o crescimento ostensivo dos descontos e ainda o uso de pessoas mortas para faturar com a fraude. “É padrão da Conafer ressuscitar mortos para conseguir descontos associativos?”, questionou Gaspar.
“É padrão do INSS ter defuntos recebendo benefícios?”, rebateu. “A pergunta é bem objetiva. É padrão da Conafer ressuscitar mortos para conseguir descontos associativos?”, repetiu o relator. “Se o morto tiver recebido benefícios, pelo jeito sim”, respondeu Carlos Lopes. O presidente da Conafer não sustentou a resposta e se disse surpreso com a informação de que dados de pessoas mortas eram usados na fraude.
“A Conafer tem 8 milhões de associados. Esses casos muito me estranham. Fico espantado por estar arrecadando em cima de defunto e por defunto receber benefícios do INSS. É tão escrachante para mim quanto para os senhores”, disse.
Fonte: O Tempo